Acordou sombria como se nada fosse real. Não sabia como fabricar alma, então, botou a cabeça no travesseiro e respirou esperando que algum acontecimento mágico ou divino restituísse o ânimo. Era como se todas os anseios de criança tivessem virado um disco arranhado na justa parte da impossibilidade, e que tudo que era possível se resumia no seu contrário absoluto.
Chorou, mas não foram reais as lagrimas, nem os medos, nem a própria falta de ânimo. Tudo compunha o enredo ridículo daquela encenação que não podia parar de representar para permanecer se sentindo viva. Não sabia fabricar alma, mas sabia forjar e fingir emoções, dentro as quais a perda latejava nos olhos que transbordavam e num momento parecia até realidade.
Assim, sentia-se sincera, quando potencializava sua mentira a um nível gigantesco que parecia-lhe de a intensidade razoável a qual sonhava,e que não era possível obter com as experiências no seu estado bruto. Transformava a dor numa arte solitária que sucumbia o medo e fazia-lhe completa, infeliz ao extremo ao ponto de ser felicidade.
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