terça-feira, 7 de agosto de 2012

Não nos disseram


A maquina desenfreada do capital disfarça seu real objetivo de lucrar em detrimento de biomas, culturas e pessoas através do discursos do desenvolvimento. Nos dizem que uma solução para a pobreza é o trabalho, nos dizem que a solução pra crise econômica são as obras, nos dizem que o agronegócio é a solução pra fome, e, que a construção de hidrelétricas ou monocultura de cana e mamona para produção de biodisel é a solução pro problema energético, nos dizem que a solução para a saúde são os planos privados, e que a solução para educação é a potencialização de universidades e faculdades particulares com inclusão de pobres através de programas, mesmo mantendo a estrutura excludente e sucateada  das universidades públicas. Dizem que as remoções, os encarecimentos em áreas de obras, a privatização do patrimônio natural e cultural são o preço a pagar por tantos “benefícios” do desenvolvimento.

O que eles não dizem é que o que gera bônus pra poucos é uma conta a ser paga por muitos que não lucrarão com esse modelo de desenvolvimento. Não nos dizem que o trabalho enriquece a poucos a partir da exploração da mão de obra de poucos. Não nos dizem que o agronegócio e a monocultura destroça as terras produtivas tornando-as em pouco tempo pobres dos minerais necessários para fecundar. Não nos dizem que a saúde e a educação são direitos básicos e direitos não se vende nem se negocia.  Não nos disseram que o trator do desenvolvimento é machista e racista e que escolhe a quem vai sacrificar.

E por não ouvir, as vezes esquecemos de dizer, muito embora na nossa vida, no nosso cotidiano vivamos a dor de não decidir, influenciar e gozar a nossa própria vida.

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