Tenho uma profunda necessidade de objetivar as coisas. De condensar as cores. De tornar práticos os processos. Porém minha natureza pragmática sempre esbarra na complexidade absurda do mundo. Como tornar objetiva uma circunstância onde os vários olhares a formam e todos os olhares a percebe em um espectro diferente? Como desconsiderar as vivências e adotar uma visão correndo o risco de se ter uma visão superficial e não verdadeira? Sei apenas que tudo que há não há com a precisão absoluta que sempre pensei. O terreno dos “objetos” transborda inclusive para outras matérias que não necessariamente a matéria do objeto, mas que igualmente o compõe. E como darei conta da minha mente humana e pequena em busca de explicações que se viessem minha mente não seria capaz de compreender em sua completude? Não raramente meu pensamento fica confuso e claro ao mesmo tempo, como se tivesse encontrado a resposta de algumas perguntas e quando dou por mim essa clareza se dilui em uma nova confusão. Como faço para articular todas essas duvidas existenciais com o meu processo diário, com a vida e não transformar o campo das idéias em um universo paralelo que não consegue se articular com o que acontece em quanto sonhamos? Como ver o mundo se a parte do mundo que vejo é completamente condicionada as minhas vivências e valores? Como não julgar as coisas e pessoas se possuo uma profunda necessidade de avaliação? E como não me desprendendo do julgamento não o torno uma estrutura perversa da minha necessidade extremamente humana de poder e do “pleno” conhecimento da “verdade”? Como viver sem sofrer com as dores do mundo e como fazer com que essas dores ditas do mundo que sinto não se tornem simplesmente o reflexo do meu egoísmo e da minha necessidade de ser menos humana, me aproximando de uma semideusa? Como me perceber como humana e perceber os que me cercam como humanos se mesmo ateia tenho uma necessidade de construir no humano a natureza divina?
Como fazer para fazer menos perguntas e me saciar com as coisas simples?
Como cantar mesmo sem a dita felicidade plena?
Como me reconhecer?
Como reconhecer os outros?
Como? Como? Como?
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